- O todo das partes
Falando especificamente da Pós-Produção de Áudio, o conceito básico não tem variações em sua essência - toda informação sonora, independente de qual seja, passa pelos seguintes processos:
- GRAVAÇÃO - o som é registrado e armazenado em diferentes tipos de mídia (fita analógica ou digital, CD, Mini-Disc, disco rígido ou memórias em estado sólido, como pen drives) usando-se microfones para captação
- EDIÇÃO - o som previamente gravado é “cortado”, “esticado”, tocado de trás para frente, equalizado, enfim, processado e sincronizado em função da imagem a que ele se destina
- MIXAGEM - é a mistura e equilíbrio de todos os diferentes sons já editados, estabelecendo-se diferentes volumes, localizações espaciais (esquerda, direita, centro, atrás) reverberações e outros efeitos, de acordo com o que se quer passar ao espectador.
- As partes do todo
Após a gravação, os diferentes tipos de informação sonora citados anteriormente neste Manual - FALAS, MÚSICA e RUÍDOS - são subdivididos em várias categorias, baseados em suas características únicas e como cada tipo de som deve interagir com a imagem.
Confuso? Usemos então como exemplo uma sequência vista ad nauseum em filmes-catástrofe: alienígenas invadindo uma cidade. Cenas de ação intensa são ótimos exemplos: vários elementos sonoros ocorrem ao mesmo tempo.
Comecemos com um plano geral de uma rua com trânsito congestionado em um dia de chuva. Vemos então, em close-up, uma mulher estressada em seu carro discutindo com o marido pelo celular; a seguir, uma música tensa anuncia as pequenas naves que surgem das nuvens. Estas dão vôos rasantes e atiram com armas de raios nos carros parados. As pessoas abandonam seus carros e saem correndo em absoluto pânico, se pisoteando entre explosões e gritos. Encerra com um plano fechado do celular abandonado no carro, onde se ouve o marido, desesperado, chamando a esposa que não está mais lá.
Muito bem, agora vamos decupar todos os elementos sonoros presentes na cena, já classificando-os em suas categorias respectivas:
- AMBIÊNCIA (Background) - sons de motores de carros, buzinaço, chuva
- SOM DIRETO (Production Sound) - as falas da mulher ao celular
- DUBLAGEM (ADR) - voz do marido no celular, gritaria das pessoas em pânico
- RUÍDOS DE SALA (Foley) - os sons dos passos e das pessoas caindo no chão
- EFEITOS SONOROS (SFX) - explosões, carros batendo uns nos outros e fogo crepitando
- SOUND DESIGN - os tiros e motores das naves alienígenas
- TRILHA SONORA (Music Score) - a música pontuando a ação.
Foley? Sound Design? Som Direto? Que raios serão essas coisas? Por que tantas subdivisões?
Acredite, por mais estranhos que sejam os nomes dados à algumas categorias, e por mais numerosas que possam parecer, todas trabalham de forma concomitante, ou seja, se complementam. Às vezes, muitas delas soam de forma simultânea (não necessariamente todas ao mesmo tempo), e ainda assim o áudio é assimilado sem problemas; é essa soma que faz o espectador “acreditar” na ação que ocorre; todos os sons são captados pelo cérebro, em diferentes níveis de consciência.
Para o espectador, a soma é o que importa. Mas para a compreensão do processo de trabalho, iremos analisar essas categorias uma por uma.
O trabalho dos profissionais de áudio envolvidos é facilitado ao separar-se os sons em categorias distintas, para que estes sons sejam editados e tratados com maior precisão, já levando-se em consideração como devem soar na mixagem final.
Nos próximos tópicos, dissecaremos tudo que compõe a Pós-Produção de Áudio: ambiência, som direto, dublagem, foley, efeitos sonoros, sound design e trilha sonora.
<TÉCNICA: SFX: rangido de cadeira de balanço e som de página virando>












































