Psico-acústica?? Vamos por partes:
- Conseguindo a atenção do espectador: o « como »Antes de entrarmos nas questões práticas sobre a origem do termo “pós-produção”, quais são as partes que a compõem e como essas partes funcionam e interagem entre si, devemos entendê-la como um todo, e como o Áudio em si afeta o ser humano. Vamos iniciar então fazendo uma rápida reflexão: como um espectador interpreta o que está presenciando? Como o instigamos a acreditar que o que está à sua frente é real e verossímil, e como fazemos para conseguir arrancar dele uma determinada reação em especial?
A resposta é: instigar sua visão e sua audição por igual, já que são os dois sentidos humanos que trabalham em conjunto para interpretar uma experiência audiovisual.
Quando digo “em conjunto”, entenda-se que mesmo sendo independentes (podemos, por exemplo, reconhecer alguém apenas vendo uma foto, ou ouvindo sua voz ao telefone) um sentido pode sim interagir com o outro para que o espectador tenha perfeita compreensão do que acontece à sua frente, de várias formas diferentes, que cito a seguir:
- Noção de realidade: o « quê »
Vivemos num mundo sonoro. Podemos relacionar diversos sons à suas fontes sonoras: objetos, pessoas, animais, fenômenos naturais. Assim, quando vemos essa fonte, esperamos ouvi-la simultaneamente. Se vemos um liquidificador ligado, esperamos ouvir um som de liquidificador. Se ao invés disso, não ouvirmos nada ou ouvirmos um som em nada relacionado com o que estamos vendo, perdemos a noção de realidade por causa do conflito entre o que nossos sentidos (no caso, visão e audição) estão captando. Esse problema é chamado de Dissonância Cognitiva. Parece ser a coisa mais óbvia do mundo, mas evitar isso é um cuidado que deve-se ter quando a ação em questão tem cunho realístico e não é, por exemplo, representar um “sonho psicodélico” ou uma bad trip de uma pessoa drogada. Um outro caso clássico (e infelizmente, bem corriqueiro) é a falta de sincronismo entre voz e a imagem de uma personagem falando, a chamada “síndrome de novela mexicana”. O cérebro tolera este problema até certo ponto (uma dublagem para outra língua não compromete, desde que se respeite o início e o fim do movimento labial). Basicamente, o espectador deve ser convencido do “realismo” do que está presenciando.










































