- Silêncio: o « quanto »
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Pois é. Reparou como o silêncio chama a atenção?
Quando colocado no momento e com duração certos, é mais poderoso que qualquer som. E sendo uma arma de grosso calibre, é para ser usado em momentos-chave.
- Pausa também é música!
Tanto que há sinais para o silêncio em partituras…
Com o áudio em geral, vale a mesma idéia. Obviamente, não há silêncio absoluto no mundo real em que vivemos, mas muitas vezes a imagem tem um tratamento não-realista, e o silêncio pode reforçar essa idéia.
O silêncio convida à introspecção e à meditação; muitas vezes, essa é a interação que queremos do espectador, ainda que por um breve instante. O espectador não pode ser tratado como um mero receptáculo de imagens incessantes e sons contínuos, sem tempo de processar toda a informação a que está sendo submetido. Inclusive, o silêncio o ajuda a analisar “quanto” do todo ele assimilou.
Outro approach menos radical (mas muito eficiente) para o uso do silêncio é lembrar que na maior parte do tempo, há vários sons simultâneos atrelados à uma mesma imagem; silenciar apenas um ou alguns elementos sonoros por um tempo determinado pode ressaltar os que continuam soando, ocasionando um grande efeito no todo que o espectador presencia.
Um exemplo prático: imaginemos um duelo de faroeste em que o áudio consiste de música, vento assoviando e passos dos duelistas. Imagine agora que a música pára quando eles se confrontam, e o vento diminui até sumir. Um close nos olhos de cada duelista, acompanhado pelo som de um único passo, e o suspense da cena se multiplica de forma dramática. Digamos agora que um caubói acerte o outro, com a imagem em câmera lenta; e ao invés de ouvirmos o tiro, ouvimos apenas o vento que volta assoviando alto, numa rajada forte. Corta para um plano subjetivo, como se víssemos pelos olhos do caubói ferido (ainda em câmera lenta). Acompanhamos sua morte, à medida que a imagem e o vento se esvaem num glorioso fade-to-black.

Bang-Bang à italiana pra todos os gostos!
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Pois é, leitor. Podemos nos dar conta do “quanto” algo faz falta, quando não está lá; ou também do “quanto” algo pode se tornar importante, quando aparece com um destaque que não teria, se fosse encoberto por um outro som mais óbvio. É uma questão de analisar o “quanto” de silêncio uma imagem pede.











































