- Ponto de Vista e Ponto de Audição
O exemplo da cena do duelo da página anterior nos serve também para analisar um outro recurso de linguagem muito interessante para envolver o espectador: o ponto de vista e audição. É o equivalente, na linguagem escrita, à narração em 3ª pessoa (“ele levou um tiro”) ou em 1ª pessoa (“eu levei um tiro”). O raciocínio é: o duelo se iniciou com o espectador tendo um ponto de vista e de audição totalmente passivo, uma 3ª pessoa presenciando a cena.
Mas de repente, o espectador foi “transportado” para o ponto de vista e de audição do caubói ferido! A intenção era fazer o espectador vivenciar os últimos instantes do pobre homem, ao invés de simplesmente assistí-los passivamente. Esse é um recurso importantíssimo na linguagem de filmes e de muitos videogames: ver e ouvir tendo o ponto de vista e de audição em 1ª pessoa. Se bem construído, é arrebatador.
- Uma câmera na mão, muitos sons na cabeça
Ao se adicionar áudio à imagem, não estamos simplesmente “adornando-a”, como uma moldura de quadro; tudo está lá por um motivo, e é essencial que todos os envolvidos no trabalho tenham plena consciência do que se deseja conseguir do espectador. Ele não demonstrará nenhum interesse se não se identificar com o que está presenciando, seja o que ele está vendo, ou o que ele está ouvindo, com peso igual para as duas coisas.
O estudo da influência do som sobre o consciente e o inconsciente de todos nós chama-se Psico-acústica. Ela estuda porque nosso humor muda de acordo com o som que escutamos, seja fala, música ou ruídos, por sinal, os três tipos diferentes de som que são trabalhados em pós-produção de áudio.
- Pires de Oliveira e pratinhos de azeitona
Não confundam Psico-acústica (com hífen) e Psicoacústica (tudo junto). Esta última é o estudo fisiológico do som: como nosso sistema auditivo decodifica amplitude, tom, timbre, localização espacial e distinção de sons simultâneos, sem adentrar no efeito psicológico do(s) mesmo(s). O intuito deste blog é discutir a “versão” COM HÍFEN, ok?…
A seguir vamos discutir como o cérebro humano processa os três tipos de informação sonora: fala, música e ruídos.










































