- A Fotografia
O terceiro e último tipo de som nesta analogia “ver e ouvir” é o Ruído: qualquer tipo de som que não seja Música, nem Fala. Então, que tipo de imagem poderia ser equivalente a ele? Creio ser a foto de jornal que ilustra uma manchete. Normalmente é uma foto não posada, que registra um momento único e especial, sendo, portanto, pontual. Nós a vemos e logo identificamos algo especial, independente do contexto. Não é avaliada por nós pelo cunho técnico (que lente foi usada, tempo de exposição, etc.) ou artístico, pois sabemos que o importante era registrar o momento, antes da plasticidade da cena; o que não quer dizer que não possa ser bela. Muitas vezes vai parar na primeira página não somente pelo momento, mas também pela incrível beleza. Como a pintura, não precisa ser decodificada, é compreendida no todo pelo cérebro, por isso mexe com nossas emoções. Mas o consciente sempre atua junto, na identificação do que a foto captou, pois esse tipo de foto não costuma ser abstrata.
O Ruído (tratado no âmbito do Sound Design como EFEITO SONORO, ou a abreviação original do inglês Sound Effect: SFX) também é algo que ilustra um momento em particular, podendo este ser fugaz ou longo. Mexe com emoções de várias formas, seja um susto causado pelo barulho de algo caindo inesperadamente no chão, ou a sensação de tranquilidade transmitida por alguns minutos à beira-mar, ouvindo as ondas.
Como a música, é assimilado de forma subconsciente, quando é um som de fundo, como o citado barulho de mar. Mas há também o consciente atuando na identificação do que gerou o tal som - a já explicada “Noção de Realidade”. Podemos dizer que fica no meio-termo entre a fala e a música no trabalho de processamento do cérebro. Não em termos de quem é processado primeiro, mas em termos de nível de consciência desse processamento:
- Fala - processado pelo consciente
- Efeito Sonoro - processado pelo consciente e o inconsciente ao mesmo tempo
- Música - processada pelo inconsciente.
O Ruído (daqui em diante chamado de SFX) é o elemento de áudio com o maior campo de atuação em um trabalho audiovisual, por causa da diversidade e quantidade de sons envolvidos, e pelos diferentes planos de interferência em relação à imagem: podem ser ruídos muito distantes, ou em segundo plano em relação à ação, ou mesmo estar em destaque, como uma explosão de imensa amplitude sonora. Por isso o trabalho com efeitos sonoros é o que tem mais subdivisões no trabalho de pós-produção de áudio - e isso será explicado em mais detalhes posteriormente neste blog.
A propósito, o que foi dito sobre sugerir e realçar emoções e não impingí-las ao espectador, quando me referi à Música, vale igualmente para efeitos sonoros em geral.
Em duas palavras: bom senso.
<TÉCNICA: SFX: som de MÁQUINA DE CAFÉ ESPRESSO>
Ufa! É o suficiente, por enquanto. Creio que a teoria vista até agora fará o estudo das partes mais práticas do tema muito mais proveitosa, ajudando-os a compreender mais facilmente o porque de cada etapa do processo de pós-produção de áudio. Após se familiarizar com essas etapas, discutiremos um pouco mais da teoria, mas levando-se em conta as particularidades de cada meio de comunicação (o que soa bem na TV pode não funcionar no Rádio, por exemplo).
Seguindo então para “the real stuff”…










































